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Segurança no enchimento de botijões de gás, pelo Cel. Roger Duarte

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Fonte: Tn Petróleo | Home / Rio de Janeiro | RJ

Prevenção de incêndios e outros acidentes é tão importante saber como combatê-los. Um exemplo expressivo da importância da prevenção é a segurança dos botijões de GLP ou gás de cozinha, em nosso país. O Brasil se tornou uma referência internacional no cuidado com o consumo seguro do GLP, a partir de uma série de normas e requisitos estabelecidos pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) e a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) ? e a participação activa de um conjunto de instituições, a exemplo dos Corpos de Bombeiros.

Cerca de 120 milhões de botijões de GLP circulam em todo o território nacional, a partir das bases de enchimento das distribuidoras, passando pelos postos de revenda, até os locais de consumo, voltando depois a ser novamente enchidos. Mais de 30 milhões de estes barcos são comercializados a cada mês, nada mais e nada menos que 1 milhão a cada 24 horas. Cabe aos Corpos de Bombeiros de um trabalho constante de vigilância e inspeção, emissão de certificados de regularidade das instalações e serviços que cumprem com todas as exigências de segurança das operações de embalagem, transporte e armazenamento.

O enchimento dos recipientes obedece a rigorosas normas técnicas de segurança e só pode ser realizada em instalações localizadas em áreas industriais, afastadas das áreas urbanas, em ambientes controlados, longe das zonas residenciais ou de aglomeração de pessoas. Além dos requisitos obrigatórios em todos os detalhes dos equipamentos e instalações, incluindo as distâncias mínimas das vias públicas e a capacitação técnica dos profissionais, tais bancos também estão inseridos numa infra-estrutura de atendimento a incidentes, formada por PAMs (Planos de Ajuda Mútua) e RINEMs (Redes Integradas de Emergência), que mobilizam empresas, comunidades e organismos públicos, com brigadas treinadas para salvar vidas e proteger o patrimônio.

Nos últimos meses, no entanto, estas questões passaram a ser motivo de grande preocupação para os integrantes dos Corpos de Bombeiros em todo o país, depois que a ANP decidiu consultar a sociedade sobre as possíveis vantagens do preenchimento fracionado de GLP. Se se permite esse tipo de enchimento funcionaria da seguinte maneira: o consumidor levaria a um lugar de encher a garrafa com capacidade para 13 kg e pode pedir apenas dois quilos, ou cinco, por exemplo, sem ter que comprar o recipiente completo. Aí reside um grande perigo, já que as características técnicas dos botijões de gás existentes no país não são adequadas para o preenchimento fracionado.

Além disso, se as operações de enchimento fracionado de botijões são permitidos, uma atividade industrial realizada hoje em áreas remotas, de modo seguro e controlado, com preenchimento completo, respeitando exatamente a pressão e a quantidade certa de cada garrafa, estará sendo substituída por um processo perigosíssimo, em áreas residenciais.

Portanto, a instalação de postos fixos de este tipo nas ruas do bairro, já que representam um grande perigo. No entanto, ainda mais preocupante é que a ideia de usar caminhões adaptados para encher garrafas nas vias públicas, já que esses veículos seriam verdadeiros riscos potenciais circulando pela cidade, trazendo para mais perto do consumidor este perigo, e pode ter envolvimento em acidentes de trânsito, com consequências muito além de simples de danos materiais, mas a exposição da vida de motoristas, pedestres e de qualquer pessoa que esteja nas proximidades, com proporções imprevisíveis.

Ninguém pode garantir a segurança de preenchimento parcial dos botijões, tanto em postos fixos e unidades móveis. Toda esta operação estaria em desacordo com os padrões estabelecidos pelos Corpos de Bombeiros e de outros órgãos.

Seria temerário trazer à porta do consumidor uma operação que hoje é feito de forma controlada, em lugares afastados, que obedece a rigorosas normas de qualidade e segurança. Autorizar um procedimento seguro com este tipo de produto, deixando os cidadãos expostos ao risco de acidentes graves em suas casas, ou até mesmo nas ruas, seria algo irresponsável, podendo redundar em tragédias. A vida e a segurança das pessoas, devem ser tomadas em conta e são mais importantes do que qualquer outra questão sobre este assunto.

Sobre o autor: Cel. Roger Duarte é o diretor-presidente da Fundação de Apoio ao Corpo de Bombeiros (Fundabom)

Fonte: www.sindigas.org.br/novosite/?p=14118

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