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Recheio fracionado de botijões: proposta absurda e perigosa

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Fonte: Revista Incêndio

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Por Cesar Ourique da Silva Almeida

Alguns dos serviços básicos, quando funcionam bem e cumprem com o seu papel exatamente como deve ser, deixam de fazer parte das preocupações das pessoas, como se fossem invisíveis. Assim tem sido com o GLP de uso residencial, gás de cozinha, pelo menos, desde há duas décadas, desde a implantação das normas de segurança e qualidade na distribuição do produto, que tornaram o Brasil uma referência internacional neste tipo de atividade.

Eis aqui um procedimento habitual na vida de mais de 90% das famílias brasileiras: a bola que está vazio, é trocado pelo consumidor na compra de uma garrafa cheia, de qualquer marca, a sua escolha. Simples assim. Ele não precisa se preocupar com o que acontece para que o balão vazio seja preenchido novamente de gás e volte a ser utilizado por outros consumidores, mas essa é uma logística complexa e de grande precisão.

As distribuidoras transportam todos os botijões de outras marcas que receberam dos consumidores, para “centros de destroca”, onde tiram igual quantidade de vasilhames de sua própria marca, colocados lá pelas empresas concorrentes.

De volta à sua base, cada distribuidora faz uma minuciosa inspeção de todos os recipientes usados. Vale a pena lembrar que isso acontece com os mais de 30 milhões de botijões vendidos mensalmente no país. Uma parte desse total se leve a manutenção e, de acordo com a ANP, cerca de 7% dos botijões que entram no processo de requalificação são sucateados, por não passar nos testes exigidos na norma técnica, sendo substituídos por recipientes novos, evitando riscos para o consumidor. Milhões de novos botijões são adquiridos pelas distribuidoras de GLP a cada ano.

Com estes procedimentos, cada empresa mantém um rigoroso controle de qualidade de suas embalagens, antes de enchê-los de novo, e o consumidor recebe frascos adequados para usar com segurança no seu local de residência. A requalificação tornou o Brasil uma referência internacional, como o melhor modelo de prevenção de acidentes no setor de GLP.

Seria, portanto, um absurdo abandonar este modelo demonstrou ser seguro, para implementar procedimentos que deixariam a população exposta ao risco de acidentes graves. Mas, por incrível que pareça, está sendo estudada pela ANP a possível aprovação do preenchimento fracionado de recipientes de GLP.

A consciência é a chave para a prevenção de acidentes. Por isso, é nosso dever alertar os segmentos envolvidos na indústria do GLP – governo, órgãos reguladores, empresas, e também a população que usa diariamente este produto em suas casas – quanto aos riscos do preenchimento fracionado.

Recheio fracionado? Em que consiste, na prática? O consumidor leva a um ponto de venda de botijão de GLP e pede que ele seja abastecido com uma quantidade menor do que a capacidade do recipiente. Quase todos os potes em uso no Brasil são próprios a 13 kg de GLP, assim que o consumidor poderia comprar apenas uma fração do total: dois ou três quilos, por exemplo.
Os fatores de risco desta prática são tantos que não cabem neste espaço citar todos eles. Então, Vamos destacar apenas alguns, e que não é necessário ser um especialista no assunto para entender em toda a sua gravidade.

Primeiro: os botijões de GLP existentes no Brasil (cerca de 118 milhões de unidades) não são concebidos para este tipo de enchimento, o que traria riscos de vazamento e explosão de gás. Segundo: se é permitido o enchimento fracionário, será impossível fiscalizar e controlar todos os lugares que a operação estará levando a cabo. Os navios não terão inspeções, manutenções e dificilmente serão requalificados.

Qualquer vazamento durante o enchimento, em lugares que não cumprem com todas as normas de segurança para este tipo de operação pode ter as piores consequências. Por exemplo, se o GLP, sendo mais pesado que o ar, penetrando na galeria de chuva, pode se limitar a uma simples faísca, provocaria uma explosão de grandes proporções.

As regras actuais e os riscos envolvidos na utilização do produto, os recipientes de GLP serão preenchidos em áreas industriais, longe das famílias e das vias públicas, em instalações construídas para as empresas distribuidoras especialmente para este fim, em conformidade com uma série de requisitos de segurança, sem fontes de ignição, com a rede de combate a incêndios, instalações elétricas adequadas, entre inúmeros requisitos e normas da ABNT, ANP, Inmetro, Corpo de Bombeiros e outras instituições.

Atualmente é responsabilidade do distribuidor para a inspeção visual, a requalificação, as tarefas de manutenção preventivas e corretivas e a inutilização das embalagens que não podem ser utilizados. Se este sistema a mudar, será impossível garantir a segregação de todos os navios que, necessariamente, têm que passar por manutenção ou requalificação. O risco será enorme, mas a marca gravada em relevo no botijão não terá mais valor, porque qualquer posto de enchimento pode ter colocado GLP nesse recipiente, bem como responsabilizar a empresa, caso ocorra algum sinistro com o botijão de gás na casa do consumidor? Um terrível e irresponsável retrocesso em termos de segurança!

Desta forma, não é recomendável que tais práticas sejam aprovadas, já que o recheio fracionado de botijões de GLP, em termos de segurança, seria apenas em desvantagens para a sociedade.

Cesar Ourique da Silva Almeida – engenheiro civil, especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho e Auditoria e Perícia Ambiental, ex-presidente da Associação Brasileira para Prevenção de Acidentes (ABPA) e da Associação latino-americana de Segurança e Higiene no Trabalho (ALASEHT).

Fonte: www.sindigas.org.br/novosite/?p=14203

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